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May 28 Agressões dos EUA aos países do Caribe e América Latina
O texto abaixo foi retirado da 1ª edição do livro "O Paraiso Perdido - Nos Bastidores do Socialismo", de Frei Betto. Neste texto, Frei Betto faz um relato em ordem cronológica das agressões, intervenções e abitrariedades dos Estados Unidos nos paises do Caribe e América Latina.
"Remonta a 1831, impoluto Teófilo, o início das agressões dos EUA à América Latina e ao Caribe, quando os marines invadiramas Ilhas Malvinas - que de direito pertencem à Argentina - e destruíram Puerto Soledad. Dois anos depois, a marinha de Tio Sam ajudou a dos súditos do rei da Inglaterra a se apoderar militarmente daquela ilha, que eles chamam de Falkland. Os marine, que cantam orgulhosos eu seu hino "somos os primeiros a entrar em combate", foram criados em 1775, um ano antes da independência dos EUA. A sanha imperialista não se deteve mais. Em 1846, os EUA decidiram apoderar-se de parte do território mexicano, o atual Estado do Texas. A batalha levou as tropas invasoras a ocuparem a Cidade do México, em 24 de setembro de 1874. No ano seguinte, a Casa Branca impôs ao seu vizinho abaixo do rio Grande o Tratado de Guadalupe-Hidalgo, pelo qual a nação mexicana entregou aos invasores mais da metade de seu território: Texas, Novo México, Arizona e Califórnia. A moda pegou. Em 1852, tropas do EUA desembarcaram em Buenos Aires. Em 1853, o pirata ianque Willian Walker tentou se apropriar de mais uma parcela do México, o Estado de Sonora, rico em ouro, mas foi repelido pelo povo em armas. Inconsolável, Walker invadiu a Nicarágua em 1855 e, no ano seguinte, autoproclamou-se "Presidente de toda América Central", o que no mínimo seria cômico, se não fosse ridículo. Mas era sério, insígne Teófilo, e ele foi derrotado. Entre 1895 e 1898, tropas norte-americanas intervieram em Cuba. Em 1898, fuzileiros navais dos EUA bombardearam San Juan de Porto Rico. No mesmo ano, a Casa Branca, intervindo na luta dos cubanos por sua independência da Espanha, impôes a Cuba, durante quatro anos, um governo militar encabeçado pelo general Leonard Wood. Em 1903, a nação do Norte apropriou-se de uma de 8 Km de cada lado na região em que se construiu o Canal do Panamá, entre os oceanos Antlântico e Pacífico. Em 1905, a República Dominicana foi invadida pelos marines, a pretexto de desajuste financeiro naquele país. No ano seguinte, Cuba sofreu uma segunda intervenção militar, comandada pelo general Charles Magoon, e que durou três anos. Em 1909 foi a vez da Nicarágua sofre intervenção. Um ano depois, as tropas invasoras obrigaram o presidente José Santos Zelaya a abandonar o país. Em 1911, a República Dominicana foi militarmente ocupada até 1914. Naquele mesmo ano, os marines desembarcaram na nicarágua, onde permaneceram até 1924. Cuba e Honduras sofreram mais uma intervenção dos EUA em 1912. Nova ocupação de Cuba ocorreu em 1917, e se prolongou por dois anos, sem que ainda houvesse sequer o pretesto do comunismo... E se repetiu em 1922. Em 1924, Hounduras sofreu sua quarta intervenção e, no ano seguinte, a quinta. Em 1926, os marines invadiram de novo a Nicarágua. Em 1947, por um acordo com os militares nativos, os EUA derrubam, na Venezuela, o presidente Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado. Em 1954, utilizando aviões de bombardeio e mercenários, os paladinos da liberdade puseram fim, na Guatemala, ao governo democrático de Jacobo Arbenz. Em 1961, ocorreu a fracassada invasão de Playa Girón, em Cuba. Em 1964, no Panamá, soldados dos EUA mataram 20 estudantes, ao reprimirem a minifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira estrelada pela bandeira de seu país! No mesmo ano, a CIA participou do golpe militar que derrubou o governo João Goulart, no Brasil. Em 1965, num acinte ao Direito Internacional, o Congresso dos EUA reconheceu unilateralmente o "direito" de os EUA intervirem militarmente em qualquer país do continente. No mesmo ano, para livrar a República Dominicana "do perigo comunista", os marines ocuparam o país, com a ajuda de tropas brasileiras, e impediram a posse de Juan Bosch. Em 1973, a CIA arquitetou o plano que, em 11 de setembro, resultou no assassinato do presidente Salvador Allende, do Chile, e levou o general Augusto Pinochet ao poder. Em 25 de outubro de 1983, tropas da 82ª divisão aerotranportada invadiram Granada e assassinaram o presidente Maurice Bishop. Em 1984, para reforçar a contra-revolução nicarágüense, 11 mil soldados dos EUA se espalharam por Honduras. Em 1988 e 1989, pilotos americanos e a Guarda Nacional de Kentucky participaram de bombardeios à população civil do interior da Guatemala, sob pretexto de combater guerrilhas. Em El Salvador, inúmeros oficiais dos EUA assessoraram as tropas do governo contra os combatentes da FMLN. Em 20 de dezembro de 1989, 25 mil soldados dos EUA invadiram o Panamá, derrubaram e aprisionaram o presidente Manuel Noriega, sob pretexto de tráfico de drogas, e impuseram no poder o presidente Guillermo Endara. Mais de mil panamenhos foram mortos durante a ocupação. E entre 1982 e 1990, o governo dos EUA patrocinou uma guerra de agressão à Nicarágua, financiando e treinando mercenários e matendo o bloqueio econômico. Por onde andaram, as tropas de invasão dos EUA só deixaram miséria, desigualdade, corrupção e morte. Mas fizeram bem, amado Teófilo, em colocar a Estátua da Liberdade à porta principal dos EUA. Assim, estamos todos cientes de que ela delimita a esfera da liberdade. A todos nós, que não somos norte-americanos, resta-nos a liberdade de jamais contrariar a liberdade de eles restringirem ou suprimirem a nossa." Frei Betto, O Paraiso Perdido - Nos Bastidores do Socialismo", cap. 5 (Rum com Soda), pp. 70, 71 e 72. 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